segunda-feira, 17 de outubro de 2011

Quantos megapixels tem sua câmera?


Antes de comprar a minha primeira câmera fotográfica que é, pois ainda a tenho, uma Mirage Kmax 3.1 megapixels, eu não sabia nada sobre pixel, megapixel, nem coisa alguma, não que hoje eu saiba muito, mas o fato é que eu fui muito feliz com essa câmera, quando ela parou de funcionar bem, eu passei a usar uma Sony Cyber Shot de 12.1 megapixels da minha irmã, fora a cor, que é rosa, é uma câmera de qualidade da imagem muito boa, mil vezes melhor que a minha Mirage, me sentia a fotografa com essa câmera.


Mirage Kmax 3.1
Sony Cyber Shot 12.1











Hoje tenho uma humilde Nikon D40 de 6.1 megapixels e, sempre que alguém me vê com ela, já vêm logo me perguntando quantos megapixels tem minha câmera, e o que eu escuto logo em seguida é: Nossa, é pouco!

Nikon D40

Vamos esquecer um pouco os pixels, e falar das câmeras digitais que estão bastante presentes na vida das pessoas. Surgiu na década de 1960, e se tornou possível graças ao trabalho do físico Theodore Maiman, com o desenvolvimento do laser rubi, uma haste de rubi que bombeada com energia bastante alta, normalmente por um tubo de flash, até que se alcance uma inversão de população (população de átomos no estado excitado > que a população de átomos no estado de equilíbrio), depois de detectar várias utilidades do laser rubi, descobriu-se que dentre as aplicações do laser, ele era capaz de armazenar dados. Outra invenção que contribuiu para a fotografia digital foi o dispositivo de carga acoplado, CCD (Charge- Coupled- Device), um dispositivo que é sensível a luz, de maneira eletrônica ele permite a conversão da luz em cargas elétricas, transformando assim a imagem capturada analógica em digital. O CCD começou a ser produzido nos anos 1970 pela empresa Dell, unindo conceitos das tradicionais câmeras com os princípios da eletrônica.

Canon RC -701, ano de 1996


Foi a Kodak que lançou a primeira câmera CCD e eletrônica no mercado, diversos modelos surgiram na década seguinte, porém poucas pessoas usavam esse tipo de equipamento, devido sua baixa resolução e preços muito elevados, fazendo com que os fotógrafos continuassem a utilizar as câmeras convencionais que eram superiores às digitais e mais em conta.

No final do século passado, cresceu o número de vendas de computadores, o que acabou por impulsionar o desenvolvimento de câmeras digitais melhores e muito mais potentes do que as fabricadas até então. A internet de certa maneira também acabou por contribuir para as modificações nas câmeras digitais, pois as redes sociais e o fácil compartilhamento de imagens tornaram maior a busca por equipamentos digitais, as câmeras ficaram mais praticas, menores e mais fáceis de utilizar, se popularizando entre as pessoas de uma maneira geral, sem ficar restrita aos fotógrafos profissionais.

A foto, feita nas câmeras tradicionais, são capturadas pelo processo analógico e a imagem é gravada no filme pela luz, por causa dos alelos de prata e componentes de emulsão química, a luz passa por um conjunto de lentes até que chegue ao filme, que exposto a luz, reage, já nas câmeras digitais, como é de conhecimento, não se têm filme, o componente responsável pela captura da imagem é o CCD, que é fotossensível, e a imagem nesse caso também só existirá devido à luz, que será sensibilizada através do CCD, existe também o fotomultiplicador (encontrado em scanners cilíndricos) ele também é um dispositivo de captura de imagem eletrônica com um desempenho bem mais potente que o CCD.

O nosso filme fotográfico foi trocado pelo CCD, pronto, foi apenas isso, entretanto, todo o processo digital envolvido, é que é uma coisa completamente diferente, outra conversa, assunto para um novo post. Tudo o que antes era feito, tentativas, erros e acertos e, dentro de laboratórios escuros, hoje é realizado em nossos computadores, os computadores se tornaram verdadeiros laboratórios, e todo o conhecimento sobre revelação está mudando, e uma nova linguagem surgiu, interpolação, DPI’s, Pixels, Photoshop, Tif’s, Jpegs, escaneamentos e, mais um monte de termos.

Na hora de comprar uma câmera, devemos levar em conta os motivos pelos quais desejamos adquiri-la, pois temos no mercado câmeras digitais a partir de R$ 200,00 até câmeras que custam o valor de um carro de luxo. Portanto escolher uma câmera digital depende mesmo, pois nem sempre pode ser uma boa escolha, optar pelo equipamento mais caro e mais potente. Assim como também pode ser um equivoco levar apenas em consideração quantos megapixels uma câmera tem. 

Hasselblad H4D- 200 MS

O megapixel é a quantidade máxima que a fotografia digital consegue capturar e armazenar em uma imagem, determinando assim o tamanho máximo de ampliação de uma fotografia. Obviamente, uma câmera com muitos megapixels, da para se fazer recortes nas fotografias, e ampliá-las com menos ruídos, porem se aprendermos a lidar melhor com nosso equipamento, conhecendo suas especificações, podemos fazer fotos de maneira correta, com menos ruídos. A resolução ideal para se imprimir uma foto deve ser entre 240 a 300 DPI’s. E uma câmera de pelo menos 5 megapixels, já dá muito bem para fazer boas fotos.

Não é aconselhável você fazer um grande investimento em um equipamento se está começando agora, ou não trabalhe profissionalmente com fotografia, pense no custo beneficio, não desista de sua câmera tão cedo, a conheça melhor, aproveite-a, e quando sua necessidade for mudando, sua câmera também irá, a não ser que você tenha dinheiro para investir em um equipamento potente e caro. Use sua criatividade e se divirta, pois tem um pessoal aí que conheço, que faz fotos até em caixa de fósforos.



  • Resolução: quantidade de pixel de uma imagem, quanto maior a resolução mais pixel e melhor a imagem.
  • Pixel: aglutinação de elementos de uma imagem, um pixel equivale ao menor ponto que forma uma imagem.



Foto feita com a Mirage Kmax 3.1
Foto feita com Sony Cyber Shot 12.1
Foto feita com Nikon D40


 






quarta-feira, 12 de outubro de 2011

Preço de Equipamentos Fotográficos

O preço encontrado nos poucos lugares aqui em Goiânia que vendem equipamentos mais profissionais como câmeras Reflex e flash’s dedicados são caros e com pouca variedade, e o que é pior, a maioria dos equipamentos não está a pronta entrega. Com certeza é um tiro no escuro para quem está comprando, investir em um equipamento sem testá-lo e ver se rola a empatia certa.


Acredito que se alguém fizesse uma pesquisa entre pessoas que usam equipamentos semiprofissionais e profissionais, mais da metade alegaria que usou de formas pouco lícitas para a aquisição (ou seja, o contrabando).

Se entramos em um site de vendas estrangeiros pela internet podemos encontrar valores bem mais atraentes do que os praticados aqui no Brasil. A lógica é simples, importamos tecnologia. Então é claro que para os americanos as câmeras serão mais acessíveis. Até ai tudo bem. Mas o problema que eu vejo são os altos impostos de importação praticados no Brasil para esse tipo de equipamento.

Entendo que nossa pátria tenha que conseguir verbas de todos os lados, mas acho que os impostos para tais equipamentos deveriam ser menores, já que não possuímos concorrentes nacionais para competir com essas tecnologias.

Para entender o preço final dos equipamentos é apenas considerar o preço nativo do produto, sendo por base aquele que encontramos em dólar em sites estrangeiros como BH, e somamos a esse valor:
1.    Valor de importação.
2.    Valor de frete.
3.    Lucro do importador.
4.    Lucro do revendedor.
5.    E como em Goiânia não temos revendedores diretos dos importadores, adiciona-se o lucro das lojas que compram do revendedor.

Uma boa possibilidade é comprar pelo Mercado Livre. Pois aí teríamos apenas quatro adicionais de valores e compraríamos produtos que já estão no Brasil (em sua maioria). Porém o medo é grande de comprar uma câmera de aproximadamente dois mil reais pela internet, e neste caso o medo é bom, pois te leva a ver todos os detalhes e pesquisar a integridade do vendedor, mas como diz o ditado: quem não arrisca não petisca...

Autor: Cleiton Oliveira

segunda-feira, 3 de outubro de 2011

Álbum de família

Desde criança encantam-me os álbuns de fotografia de família, aqueles onde se enfiavam as fotos em saquinhos plásticos, ou aqueles grandes e desengonçados onde as fotos eram coladas. Saudosista? Talvez. Coisa de imigrante digital no início da casa dos 30. Ficando velha? Sim. Todo saudosista é alguém que está ficando velho, rememorando com saudade o que passou.




Minha mãe, Letícia, na Praça Cívica no centro de Goiânia em 1978. Fotógrafo: meu pai, José Milton.
Formato da foto: 12,5 x 9 cm. Filme colorido. Papel fotográfico: Kodak. Câmera Leica, analógica.



Ultimamente, tenho refletido muito sobre a fotografia pra reforçar nossa memória e contar histórias do cotidiano, ou seja, não me refiro às fotografias de personalidades famosas, nem às dos livros de História, mas às de pessoas comuns, dos álbuns de família. Nelas, além da história de nossos familiares, há história do nosso próprio tempo: podemos observar registros de moda; personalidade da pessoa retratada; estilo do fotógrafo principal da família (o pai, o tio?); decoração; arquitetura; carros da moda; a cidade; diferentes tipos de papéis e películas fotográficas; o ISO; os químicos e, se muitos sagazes, até deduzir qual o modelo de câmera usado, se não mais tivermos o parente ou o amigo fotógrafo com a memória ativa pra nos contar qual seria.



É uma forma de subverter a História tradicional, dos grandes feitos, dos grandes heróis. De direcionar nosso olhar para focar os que também constroem a História no cotidiano. Quem é você? Qual é a sua história? Como você se posiciona na História? Outra História da Fotografia, a história do “estilo amador”, dos fotógrafos anônimos, dos álbuns de família da era analógica, pré-digital.



Minha mãe de calça cor mostarda nos brinquedos do Parque Mutirama em Goiânia com amigas de faculdade, 1972. Quem é de Goiânia, sabe que esses brinquedos existem iguaizinhos ainda por lá, veremos depois da modernização do parque que está acontecendo neste ano de 2011. Os cilindros de concreto existiam naquela época na Praça do Avião em Goiânia.



Se já quase não mais temos o hábito de mandar fazer as ampliações de nossas fotos em papel fotográfico e colocá-las em porta-retratos em cima do aparador, ou de pegarmos os álbuns guardados com cheirinho de químicos envelhecidos e mostrarmos praquela visita que vem à nossa casa uma vez na vida, continuamos nos mostrando na Internet e disseminando nossas fotografias para mídias digitais diversas. E a visita nem precisa vir até nós, nossas imagens vão aonde elas estiverem, espalham-se ao mundo, ao mundo...



Nossas fotos deixam de ser nossas ou só de nossas famílias, deixam de ser aquela segunda cópia que presenteávamos um amigo querido e, ainda, lhe escrevíamos uma dedicatória no verso com Bic azul e colocávamos a data. Digitalizadas, nossas imagens passam a ser quantas vezes forem copiadas e visualizadas por quantos (des)conhecidos as curiarem. É uma nova “era da reprodutibilidade técnica”.



Verso da foto com "areia" mais adiante.

A dedicatória com Bic azul ou preta, com lápis grafite, perdeu espaço para um comentário digitado de natureza qualquer... Ao invés de escrevermos os nomes dos que na foto aparecem, podemos também indicar os presentes (e aos presentes), marcando-os para que através de links, o curioso internauta seja encaminhado ao perfil de tais pessoas, caso essas também façam parte da mesma rede social.


Quando minha mãe nasceu, em 1944, não era muito comum que as famílias tivessem câmeras fotográficas, então, costumavam-se contratar fotógrafos profissionais para registrarem os momentos especiais e os retratos de família.




Foto 1: Em 1960 com uniforme de gala aos 16 anos em casa, Porto Nacional (ainda antigo estado de Goiás). Foto 2: Com uma colega de ginásio em 1964, no dia da formatura à porta do Colégio Estadual de Porto Nacional. Foto 3: Num barco no rio Tocantins em 1970. Foto 4: Em Goiânia, 1965, com Raimunda (amiga), Lenita (irmã), Letícia (mamãe) e Adaltides (prima). Filmes P&B, papéis lisos brilhantes, formatos variados entre 6,5 a 10 cm.

Dos álbuns de minha mãe, aprecio muito suas fotos do período dos anos 1970, quando ainda eu não era nascida. Dez anos antes, desde os anos 1960, eram os tios, primos, amigos e o irmão de minha mãe (todos homens) e mais “descolados”, que ficavam responsáveis por registrarem os momentos com suas câmeras analógicas mui “modernas”, de ferro e pesadas: Leica, Kodak, Pentax, Polaroid.


Minha mãe aos 17 anos em 1961, no quintal da casa da minha avó Luísa na Rua 77, nº150, Centro de Goiânia. Foto "batida" pelo seu primo, Sansão, provavelmente com uma câmera Kodak, segundo ela. Filme P&B, papel fotográfico não identificado, fosco, com 180 gr., aproximadamente. Formato: 10 x 7 cm.


Mais tarde, ao final daqueles anos, seu melhor retratista acabou sendo meu pai:


Em 1978, na sala de jantar na casa da Rua 62, nº12, Centro, Goiânia. Casa que não existe mais, onde nasci quase 2 anos depois. Fotógrafo: meu pai, José Milton. Câmera: Leica, emprestada pelo meu tio Uriel. Filme colorido. Papel fotográfico: Kodak. Formato: 12,4 x 8,8 cm.



Uma das coisas interessantes nas fotos de minha mãe são os formatos e as bordas brancas em ondinhas e retas. Há foto preto-e-branco mais conservada do que algumas coloridas, estas já em tom sépia, desbotadas. Algumas vinham minúsculas, em monóculos, pra direcionarmos estes à luz e visualizarmos através de uma pequena lente acoplada, o diminuto fotograma.




Época de faculdade em Brasília, 1973. Filme colorido. Papel liso brilhante. Formato: 9 x 12,5 cm.



Nos álbuns da juventude de minha mãe do início dos anos 1960 ao final dos anos 1970, não existem fotografias dela em papéis de gramatura muito espessa, nem com texturas muito pronunciadas. Os papéis eram brilhantes e vezes foscos. Mas, a cada tipo de câmera, papel ou laboratório fotográfico, um formato diferente de fotografia.




No Zoológico de Goiânia em 1978 com meus primos: Ricardo e Ana Cristina. Foto tirada pelo meu pai.

Para um fotógrafo amador com uma câmera analógica, especialmente quando esta era compacta, tirava-se a foto quase como no escuro, pois não tendo um super visor de LCD de 2 a 3.5 polegadas como nas câmeras digitais atuais e, somente um pequeníssimo visor ao olho, de poucos centímetros, era comum o “erro de paralaxe”. Erro ocorrido quando se achava que se ia fotografar exatamente o enquadramento visto pelo visor, mas que na verdade, a composição saia "mais pra lá" após o filme revelado e a foto ampliada. O visor não correspondia à visão real do objeto a ser fotografado, por se localizar em posição diferente do foco da objetiva, assim, era comum a foto não sair com o recorte escolhido durante o ato fotográfico.


Naturamente, o erro de paralaxe vinha aliado ao amadorismo de se fotografar mais a parede e o teto do que a pessoa retratada, mais a areia e cortar pessoas que estavam posando para a foto em um grande grupo a caminho da praia, ou de se posicionar a câmera na vertical, ao invés da horizontal, posição que seria mais adequada para a foto do grupo em questão - o que pode se tornar um charme a olhos não convencionais em consagração ao "estilo amador".



Em Luís Alves-GO, 1974, rumo à praia do rio Araguaia. Tava frio no início da manhã! Mamy's é a última à direita, sem chapelão a la mexicano! rs Filme colorido. Papel fotográfico liso, brilhante. Formato: 8,8 x 12,1 cm.



Claro que, os técnicos ou mesmo os fotógrafos que eram também responsáveis por operarem os ampliadores em seus laboratórios podiam, de acordo com a sensibilidade estética de cada um, corrigir no ampliador na sala ou quarto escuro de revelação o enquadramento do “estilo amador”. Exatamente igual ao que fazemos hoje usando programas de edição de imagens, como o Photoshop ou o Ligthroom. Ajeitavam o recorte no ampliador e podiam ajustar o tom, a luminosidade e o contraste quando submergiam o papel fotográfico já sensibilizado nas bandejas com os químicos que fariam aparecer e fixar a imagem ali projetada.


Minha mãe montava exposições artísticas na escola onde ministrava aulas de Geografia e Artes Industriais, suas duas formações acadêmicas, cultivava samambaias em casa, cactos e um jardim de rosas, lia revistas de decoração, dirigia Fusca e ouvia o iê-iê-iê de Roberto Carlos e da Jovem Guarda.




Na sala de Artes Industriais no Colégio Estadual Polivalente Modelo de Goiânia, 1973. Atual Colégio Militar, na T-08 com T-47, Setor Bueno em Goiânia. Exposição de artes e maquinário usado com os alunos. Fotos tiradas pelos seu primo, Sansão!


Infelizmente, ela não foi uma moça descolada, nem porra-louca, não militou contra a Ditadura, não participou de movimentos feministas, nem grevistas. Até chegou a usar alguma ou outra referência da moda hippie, ministrou aulas pra alunos cabeludos e “hippongas” quando concursada em Brasília, mas nunca fora uma. Fato perceptível nas fotografias em suas poses: sempre muito contidas, com muita timidez na linguagem corporal, sem grandes gargalhadas ou galhofas; roupas comportadas de “moça de família” – o que era esperado que fosse, uma “filha de mãe viúva, criada sem pai” em Porto Nacional, uma cidadela que pertencia ao antigo estado de Goiás, atual Tocantins.

domingo, 25 de setembro de 2011

O Brasil e a invenção da fotografia


Nascido em Nice, na França, mas radicado na Vila São Carlos no interior paulista (atual Campinas), Hercule Florence (1804-1879) desenvolveu, em 1933, um pioneiro processo fotográfico chamado por seu criador, Photographie. Somente seis anos mais tarde Louis Jacques Mandé Daguerre (1787 – 1851) apresentaria o seu Daguerreótipo, aparelho considerado o precursor das modernas máquinas fotográficas, à Academia de Ciências de Paris. Florence costumava se lamentar pela falta de recursos do país e pela distância que o separava da fonte dos saberes eruditos da época, a Europa, mas seu infortúnio ajudou a fazer com que o Brasil tomasse parte no conjunto de esforços que iriam dar na invenção da fotografia.

Em 1830, insatisfeito e sem meios para publicar um tratado científico sobre o canto dos pássaros, inventou sua própria técnica de impressão a Polygraphia. Dois anos mais tarde, tentava reproduzir não apenas tipos e desenhos no papel, Florence era também desenhista, mas também imagens captadas por uma câmara escura. Adaptou uma lente de óculos ao orifício da câmara e um espelho para corrigir a imagem invertida, acrescentou ao engenho uma folha de papel embebida em nitrato de prata e posicionou o conjunto sobre uma cadeira disposta à frente de uma janela. Depois de algumas horas de exposição, obteve um registro em negativo. A prova, no entanto, sem o componente químico necessário para deter o processo de revelação, enegreceu.

Florence estava agora disposto a fazer permanecer a imagem na folha de papel. Conta-se que tentara de tudo: urina, ácido muriático, uma mistura de ácido nítrico e ouro em pó, amônia e amoníaco cáustico dissolvido em água. Depois de várias experiências malsucedidas chegou a um método eficaz que consistia em combinar banhos em água salgada; aplicação de hidróxido de potássio; e, por fim, o uso de espírico de amoníaco - um composto obtido pela fervura de ácido espírico e amoníaco cáustico - sobre a folha impressionada pela luz. É a esse processo que Florence batizou com o nome Photographie.

Apesar de registrar todo o seu percurso em diários e anotações minuciosas, o reconhecimento do feito de Hercule Florence viria apenas muito tempo depois de sua morte. Particularmente, o trabalho de Boris Kossoy, com a publicação do livro Hercule Florence – A descoberta isolada da fotografia, já em 3º edição de 2006, tem ajudado a escrever o nome do inventor entre os “descobridores” da fotografia.

Em tempo, a relação do Brasil com a fotografia não é singular apenas a este respeito. De acordo com um verbete da Enciclopédia Encarta, o imperador Pedro II foi um fotógrafo amador, e precoce, teria começado a aprender a técnica na idade de 15 anos. Mais tarde, como uma espécie de mecenas da fotografia, concederia o título Photographo da Casa Imperial à dupla Buvelot & Prat a 8 de março de 1851, a primeira honraria dessa categoria concedida por um soberano. Dois anos antes do título concedido pela Rainha Vitória da Inglaterra ao retratista Antoine Claudet.

A.F.N

Fontes:

KOSSOY, Boris. Hercules Florence - 1833 - a descoberta isolada da fotografia no Brasil.

ENCICLOPEDIA Microsoft Encarta.

domingo, 18 de setembro de 2011

Lomos!

Foi no ano de 1982, na Rússia, dentro da antiga União Soviética que nasceu a primeira maquina fotográfica LOMO. A LOMO é uma empresa russa de equipamentos ópticos, e foi através de uma solicitação do então general Igor Petrowitsch Kornitzky, que integrava o ministério da Indústria e Defesa Soviético que a empresa LOMO começou a desenvolver maquinas fotográfica. O primeiro modelo de câmera “compacta” fabricado por eles foi a LOMO LC-A , no caso uma copia descarada de uma maquina japonesa chamada Cosina CX-1. Sua simplicidade e facilidade de uso havia convencido Igor Petrowitsch de que ela poderia atender as necessidades soviéticas de satisfazer a população atrás da cortina de ferro de que eles poderiam ter um estilo de vida similar ao das pessoas do mundo livre, fazendo fotos de seu cotidiano e de suas famílias a um preço extremamente baixo com um equipamento muito simples, alcançando assim todos os lares comunistas, não só da Rússia, mas de todos os países alinhado com a Rússia.

Mas como quase todo produto soviético, a LOMO LC-A era uma copia de baixíssima qualidade em comparação com a sua inspiradora japonesa. Enquanto a Cosina CX-1 tinha um robusto corpo, bem fabricado, com mecanismos de funcionamento precisos, vedação excelente e lentes de excepcional qualidade, a LOMO LC-A era quase uma versão antônima da maquina japonesa, com problemas crônicos de vazamento de luz, corpo feito em plástico de qualidade duvidosa e lentes feitas de material acrílico, que resulta em deformação na imagem, foco e cores. Com certeza uma visão apropriada de realidade soviética diante do mundo ocidental.

As "qualidade" peculiar desses equipamentos fotográficos russos garantiu a LOMO então um espaço no limbo fotográfico, tendo certeza de venda somente nos antigos países alinhados ao bloco soviético, o que piorou com o colapso só sistema no final dos anos 80 e sua efetiva queda no inicio dos anos 90, havendo então uma debandada dentro dos próprios países formadores do bloco dos produtos que eram produzidos na região por produtos ocidentais, de melhor qualidade e durabilidade do aqueles encontrados localmente. A indústria local era ineficiente e de baixa qualidade, e não refletia o desejo de consumo da população, uma vez que o consumo nunca foi prioridade da indústria Soviética.

Porém, ainda nos anos 90, dois jovens vienenses em viagem a Republica Checa compram uma maquina LOMO usada, pois estavam sem meios de registrar sua viagem pelo país. Quando retornam e revelam o filme fotografado ao longo da viagem se deparam com uma surpresa que os surpreenderam. Fotos saturadas, recortadas como em vinhetas, foco de qualidade duvidosa, porém com uma linguagem tão própria e original, tão vibrante e envolvente que eles foram conquistados pela maquina e sua natural linguagem que foge completamente aos padrões de registro fotográficos tão difundidos.

Por volta de 1995 era formada em Viena, na Áustria, a Sociedade Lomografica e a primeira LomoEmbaixada, iniciando a lomografia, com o objetivo de impedir o desaparecimento das pequenas maquinas fotográficas russas, já que a fabrica que a produzia em São Petersburgo suspendeu sua linha. Mas com a crescente popularização das maquinas, elas voltaram a ser produzidas.

Hoje em dia a fotografia LOMO se tornou um estilo, uma linguagem especifica utilizada por artistas fotográficos ou mesmo pessoas que querem experimentar formas diferentes de registrar momentos, pois fotografar com uma LOMO não é simplesmente captar uma imagem, já que é impossível dizer como elas ficarão depois que se acionar a maquina, mas uma tentativa de tentar olhar mundo de hoje através de um filtro que nos remete a um passado nostálgico, onde tudo era mais promissor e feliz, uma maquina do tempo que do tamanho de um negativo, transporta nosso momento para um tempo sempre melhor.

Minha lomo é uma HOLGA CFN 120. Vejam como ela enxerga o mundo! =)

Autor: Alexandre Rabelo (Membro do fotoclube Super Olho)

quinta-feira, 10 de março de 2011

Muestra Internacional de Fotografía Lomográfica y Estenopeica: Cuerpo, Vida, Muerte.

CONVOCATORIA 2011
MUESTRA INTERNACIONAL DE FOTOGRAFÍA LOMOGRÁFICA Y ESTENOPEICA: CUERPO, VIDA, MUERTE.


Con el objetivo de promover la fotografía realizada con cámaras lomográficas, estenopeicas o análogas desechables y explorar así sus cualidades espontáneas, efectos originales y libertad de creación, el Colectivo Espacio Común y Letrina, espacio de diálogo y encuentro, convoca a la recepción de obra para conformar una muestra internacional e itinerante.

Bases:
I. Podrán participar todos los fotógrafos y artistas de cualquier país y edad.
II. CUERPO, VIDA, MUERTE: La obra debe partir de alguno de estos temas o de sus interrelaciones, abordándose desde cualquier enfoque artístico, filosófico o poético.
III. Los interesados deberán enviar a muestralomoestenopeica@gmail.com un mínimo de 2 y un máximo de 6 fotografías digitalizadas para el proceso de selección correctamente identificadas (incluyendo el nombre del autor en cada archivo). El formato de recepción puede ser blanco y negro o color, a 72 dpi, en jpg, en un tamaño de 800 pixeles por el lado mayor.
IV. Todas las fotografías deberán haber sido realizadas en el trayecto de los últimos cinco años. Se considerarán aquellas aún hayan sido exhibidas, más no si forman parte de alguna colección privada. Deberán ser propiedad intelectual del participante.
V. De la obra recibida se realizará una selección de 50 hasta 100 fotografías, mismas que serán solicitadas posteriormente en archivo digital en una resolución de 300 dpi, en tamaño aproximado de 20 pulgadas por el lado mayor, formato jpg. Por la índole y objetivo de esta convocatoria se recomienda a los participantes no alterar o manipular de forma drástica las imágenes al momento de digitalizarlas para concentrar los resultados lo más próximo a el original, sin embargo, se deja a su consideración algún retoque mínimo a fin de optimizar la impresión física a exhibir.
VI. Los organizadores se harán responsables de la impresión, montaje y traslado de la obra seleccionada, a la búsqueda de espacios para su exhibición en México así como en algunos puntos del extranjero. Se compromete a la cobertura de prensa en cada lugar y a la difusión de material gráfico indispensable. Además realizará una página web como forma de exhibición electrónica permanente en dónde se incluirán todas las obras seleccionadas y material de constancia de cada exhibición. Se editará también un libro arte-objeto con edición limitada a distribuirse únicamente a los seleccionados como forma de registro y complemento creativo (importante: el costo de elaboración correrá a cargo de los organizadores, el costo de envío a cargo de cada participante).
VII. Se enviará a cada autor seleccionado material de registro, constancias de prensa y participación de cada exposición vía correo electrónico. No existirá ningún premio ni remuneración económica.
VIII. La recepción de obra se realizará del 1 de marzo al 30 de abril de 2011. Todo correo será confirmado en las próximas 48 horas de su recepción.

IX. Se informará del resultado de selección el 15 de mayo de 2011. Las exposiciones iniciarán en junio en el estado de Nuevo León, México. Cada participante será notificado del itinerario llegadas las fechas de cada exposición mismas que podrán tener una duración mínima de un día y máxima de un mes, según el espacio.
X. Ninguna fotografía será devuelta impresa, cada participante acepta su uso y exhibición por el transcurso de 1 año a partir de la fecha de cierre de esta convocatoria, así como a su publicación web e impresa para medios de difusión y registro.

Colectivo Espacio Común y Letrina, espacio de diálogo y encuentro están conformados por artistas sin fines de lucro, unidos exclusivamente para la difusión y presentación de obra artística, promover así, sensibilidades hacia estéticas diferentes y retroalimentación artística. Su proyecto anterior 2010: Somos/Soy, Muestra Internacional de Retrato 20×16 está disponible en www.somosysoyfotografia.com donde pueden visualizarse sus resultados y exposiciones en México, España y Portugal, próximamente también en Argentina y otros destinos a confirmar.

Monterrey, N.L. México.
A 1 de marzo de 2011.

Digitalização caseira de negativo


Quem trabalha com fotos ou é algum entusiasta da fotografia amadora sabe o que é um negativo: aquela fita plástica com substâncias químicas sensíveis a luz, onde as imagens são capturadas quando realizamos nossas fotos. Talvez esse meio de fazer fotos desapareça com o processo de digitalização da imagem cada vez mais eficiente e barato, dando lugar permanentemente as máquinas que fazem essa captura através de processos digitais.

Sem negativos, a fotografia digital provoca o fenômeno do desaparecimento dos antigos minilab. Um minilab é uma espécie de estação de revelação de negativos e ampliação fotográfica, ou seja, os laboratórios de revelação e ampliação. Aqui mesmo, em Goiânia, poucos os lugares continuam a revelar e ampliar negativos. Para ampliação, as fotos devem ser levadas gravadas em CDs ou pendrives. Diante disso, o que podemos fazer com nossos antigos negativos que estão entulhando nossas gavetas?

Mandar digitalizar é uma saída, mas o custo continua proibitivo, pra não dizer descaradamente caro! Então a solução é fazer você mesmo, no conforto de sua casa, por que é o que tem, cumpadi! 

Garimpando na net, me deparei com vários fóruns de discussão tratando desse assunto e encontrei um apanhado de técnicas de digitalização caseira. Usei o que me pareceu o mais interessante e eficiente e resultou nesse processo que vou apresentar logo abaixo.
Você precisara simplesmente de sua máquina fotográfica digital SLR, um tripé, fita adesiva e o monitor de seu computador!!

A técnica é simples! Limpe os negativos com uma solução de limpeza. Essa você encontra em qualquer loja de material fotográfico. Se não tiver, pena... vai sem mesmo. Em seguida, você deve abrir uma tela branca no seu computador. Eu normalmente uso uma tela do programa Word.  Sobre a tela você precisa colocar dois pequenos suportes para que o negativo não fique em contato direto com o monitor. Eu uso duas caixas antigas de tinta nanquim, mas você pode usar dois pequenos pedaços de isopor. Em seguida prenda esses suportes no seu monitor com fita adesiva, e sobre os suportes prenda o negativo. O negativo deve ficar esticado para n haver deformação na foto. Prenda o negativo nos suportes usando fita adesiva. 

Coloque a máquina no tripé e regular a altura. É só acertar a distância correta e fazer o foco. Eu mesmo faço tudo no automático. Para diminuir o ruído uso ISO baixo, 100, 200 ou 400. Ai é só clicar. Deve-se fazer pelo menos três fotos do mesmo quadrograma, pois o monitor possui a faixa de correção. Essa faixa de correção é uma faixa que fica rolando pela tela para evitar que o monitor fique marcado caso fique aberto na mesma tela muito tempo. Não conseguimos ver a olho nu, mas aparece nas fotos. 

Depois que fotografar os negativos é necessário os inverter para positivos. Abra a imagem do negativo no Photoshop e faça os acertos e cortes necessários, deixando somente a imagem do negativo. Selecione a imagem e inverta (Ctrl +I) fazendo com que ela fique positiva. Faça as correções necessárias. Sua foto estará pronta para ser ampliada e você ainda guardou uns trocados.


Autor: Alexandre Rabelo (Membro do fotoclube Super Olho)