sexta-feira, 10 de fevereiro de 2012

Encontro de Janeiro

No dia 29 de Janeiro os membros do Fotoclube Super Olho se reuniram após um breve recesso. O encontro foi na casa da camarada Naira onde foram produzidas fotos com a técnica de Splash. Para realiza-las utilizamos um aquário transparente (existe aquário sem ser transparente?), duas tochas (flash de estúdio), um rádio Flash, um tripé para a câmera e muita criatividade...  Alguns dos resultados podem ser conferidos a seguir:



















Para finalizar o encontro, fomos a um barzinho jogar sinuca e bater um papo descontraído.

quinta-feira, 26 de janeiro de 2012

FOTO NA ESCOLA




Em novembro de 2011, tive o prazer de ser assistente do projeto "Foto na Escola", que tem como objetivo utilizar a linguagem da fotografia como modo de reflexão e valorização do ambiente escolar, através da técnica de fotografia pinhole. O projeto foi idealizado e coordenado pelo fotografo e ator, que também é o presidente do Fotoclube Super Olho, Cleiton de Oliveira, apartir de um estudo seu para a conclusão do curso de fotografia, utilizando a fotografia pinhole como forma de inclusão social, onde seu foco principal passa a ser o processo que o individuo passa, e não apenas resultado final, desenvolvendo um olhar artístico e se fazendo presente na fotografia desde a confecção de sua câmera.

O Foto na Escola em sua primeira edição, aconteceu na Escola Municipal Frei Demétrio Zanqueta, que fica no Setor Pedro Ludovico, em Goiânia, Goiás e patrocinado pela Lei Municipal de Incentivo a Cultura.

Cleiton de Oliveira e aluno

Durante quatro dias, divididos em duas turmas, nos períodos da manhã e tarde, as crianças tiveram noções básicas sobre fotografia, construção de câmera escura e câmera pinhole.


Crianças e Eurípedes dos Santos, produtor do  projeto



Câmeras feitas pelos alunos

A experiência com crianças, que apenas conheciam a estantaniedade da fotografia digital, foi bastante interessante. Elas construíram suas próprias câmeras escuras e, essa foi uma festa para elas, se divertiram bastante quando puderam observar que com dois pedaços de papel preto, um pedaço de papel vegetal e um pedacinho de papel alumínio com um pequeno furo podiam ver a imagem a qual apontavam a sua câmera, refletida no papel vegetal, foi com mágica para eles, que se agitavam com a imagem invertida que se mostrava.

A nossa câmera fotográfica foi construída com caixa de fósforo de madeira e, elas,as crianças, pareciam, tanto eles quanto os professores da escola, incrédulos que poderiam fotografar com uma caixinha de madeira frágil, um filme fotográfico, uma bobina vazia, protegidos com fitas isolante e um pedaço de palito de picolé preso com uma liguinha de latex, apenas isso e não um aparelho cheio de botões e todo um mecanismo complicado por dentro.




Depois de construída a câmera e, explicações dadas, as crianças saíram pela escola, captando imagens do local que passam a maior parte de seu dia e, empolgados divertiram-se muito com a possibilidade de fazerem fotos com aquela geringonça de ante os olhos incrédulos de professores.

A princípio ficamos apreensivos com o resultado final do trabalho das crianças, pois não teríamos a certeza de que eles, apesar de todas as instruções, iriam compreender a importância do tempo de exposição e captação da imagem e o fato de terem que manter a estabilidade de suas câmeras, o que poderia frustrar as crianças que esperavam ansiosas, poderem ver suas fotografias.

Para a primeira experiência deles e, nossa também como o projeto, tivemos uma surpresa, claro que tiveram fotos perdidas, muitas tremidas, com muito e pouco tempo de exposição, mas também tiveram fotos interessantes, bem legais e, mas  legal ainda o olhar e o sorriso  das crianças, ao verem o resultado ,de poder pegar em suas mãos fotografias que fizerem de uma maneira tão simples e gostosa.






Os alunos montaram a exposição, deram nomes as suas fotografias e as colocaram expostas na escola. Para mim, o melhor desse projeto e, da convivência com as crianças, é a parte que não se pode fotografar, a parte que ficará neles e em nós também.

Espero que o que eles tenham vivenciado nesses quatro dias, não somente com relação a fotografia, mas em tudo que passamos e conversamos, possa ter ficado guardada em alguma parte deles e, que em algum momento possa ser útil à eles.










Além do carinho, das cartinhas e abraços e lagrimas, que recebemos das crianças na despedida do projeto na escola Frei Demétrio Zanqueta, levamos a satisfação de termos feito um trabalho gratificante e especial.






Conheça nossos trabalhos acessando:






terça-feira, 24 de janeiro de 2012

Concurso de Fotografia Eubiose



O concurso tem por finalidade incentivar a sociedade a expressar, por intermédio de 
imagens, a percepção que possui sobre a afirmativa: “Brasil, berço de uma nova civilização”. 
Uma reflexão sobre o Brasil e o Povo Brasileiro: Quem somos nós? Qual o nosso papel para o 
Brasil e para o mundo? Estamos preparados ou nos preparando conscientemente para a 
elevada posição que o Brasil está assumindo no mundo? Quais seriam os nossos valores 
futuros desejáveis como sociedade e como nação?


Poderão inscrever-se no I Concurso Nacional de Fotografia brasileiros e estrangeiros 
residentes no Brasil.

Cada autor poderá participar com  até três  fotos originais, que deverão ser 
impressas e ampliadas (em papel fotográfico fosco ou brilhante) no tamanho de 
20x30cm.

As fotografias poderão ser produzidas em linguagem analógica ou em linguagem 
digital. 

Serão admitidas fotos capturadas por telefone celular.

Maiores informações no site 

O Edital pode ser encontrado para download no link:
http://www.eubiose50anos.org/eubiose/concurso_de_fotografia_files/Edital%20I%20CONCURSO%20NACIONAL%20DE%20FOTOGRAFIA%20DA%20SOCIEDADE%20BRASILEIRA%20DE%20EUBIOSE.pdf

domingo, 15 de janeiro de 2012

Fotografia de negros escravos no Brasil


Desde quando nem me lembro, tenho fascínio em imagens antigas, fotografias que mostram o costume e fisionomia das pessoas e, já há bastante tempo venho procurando fotografias de escravos no Brasil, já estamos mais que familiarizados com pinturas, como as de Debret e Rugendas.


Jean Baptiste Debret

Johann Moritz Rugendas

Mas eu queria o registro real de um instante, porque a fotografia nos mostra sempre o algo mais, a imagem quase que fiel ao que se é na realidade, a pele, a cicatriz, as roupas, olhos marejando, algo que não foi pintado e, meio que por destino, para aqueles que acreditam em sua existência, me deparei com imagens de dois fotógrafos europeus, Augusto Stahl, italiano e o alemão Henrique Klumb, ambos fotógrafos da família real, tendo Klumb dado aulas de fotografia para a princesa Isabel.


Entre alguns de seus trabalhos encontramos registros de negros no século XIX, antes do tal histórico dia 13  de maio de 1888. Depois conheci fotografias de outros fotógrafos como, Marc Ferrez, Victor Frond e Cristiano Júnior.

Nas fotografias reais expressões de mulheres cuidando de crianças brancas, negros em lavouras, em outras mulheres negras e cafusas vestidas como se fossem apenas para aquele registro, de uma forma "romantizada" da mulher negra.

Augusto Stahl- 1865


Augosto Stahl- "Mina Bari"
Cristiano Júnior

Negros com suas faces marcadas de cicatrizes e, mais profundamente em seus olhos tristes, fotos dos últimos anos de escravidão no Brasil.

Sem sorriso, sem alegria, apenas a beleza triste de um povo, de uma época infeliz e equivocada de nosso país. Em muitas fotos notamos a tentativa de amenizar o horror vivido por essas pessoas, que nem considerados seres humanos eram.

Victor Frond

Marc Ferrez- Negra da Bahia

" Os visitantes estrangeiros pararam diante da "roda-viva" que caracterizava o mundo do engenho, das minas e das cidades. é de imaginar o impacto causado pela presença da massa escrava que, exercendo atividades quase que medievais - se comparadas com aquelas em vigência, nos países europeus já industrializados ou em vias de industrialização -, se prestou como modelo àqueles que buscavam documentar o singular"

                                                                                                           (Kossoy e Carneiro)

E assim a fotografia nos ajuda a entender um pouco dessa parte da história brasileira, nos faz imaginar e e perceber como que de fato viviam os negros.

A vida dura, ou quase vida, dos escravos que construíram esse país, não deixou morrer a beleza do povo negro, nem sua herança, apesar de tristes os rostos desses negros retratados, ainda se vê beleza.







Você pode gostar de ler também:


BACELAR, Jeferson e CAROSO, Carlos, Brasil: um país negro? Rio de Janeiro, ed: Pallas, 1999.

KOSSOY, Boris e CARNEIRO, Maria Luiza Tucci, O olhar europeu: o negro na iconografia brasileira do século XIX, São Paulo, Editora da Universidade de São Paulo, 2002.






terça-feira, 13 de dezembro de 2011

O OLHAR FOTOGRAFICO!


Uma foto é a representação da coisa pela própria coisa. Talvez possamos dizer que seja um ícone do que se propõe reproduzir. O critério como a forma dessa coisa irá se representar será uma escolha do fotógrafo, que possui apenas o espaço de um fotograma para fazer isso. Será medido e selecionado por ele, usando do que conhece para poder tentar criar uma atmosfera especifica. Chamamos isso de olhar fotográfico.


A máquina faz fotos, registrando a luz de um instante em um determinado lugar, congelando aquele momento em uma superfície que o conserva para sempre. Esse instante nunca mais voltará, mas estará registrado. O cérebro é influenciado pelo ambiente, pelos odores, pela temperatura, sons, estado de espirito e sentimentos. Nada disso pode ser reproduzido pela máquina, mas cada um que vislumbre a imagem fotografada será instigado por essas sensações, cada qual com seu leque pessoal de lembranças e situações que ira lhe causar uma reação distinta diante dessa imagem preservada, podendo ser bem diferente da realidade na qual a cena foi registrada. 


Uma máquina por si só tira fotos, bastando apontar sua lente para algo e acionar seu mecanismo. Não existe ali um esforço motor no que diz respeito à reprodução do objeto por parte do fotógrafo, ao contrário da pintura e do desenho, onde a realidade é interpretada pelo artista, a fotografia é uma reprodução fidedigna da realidade. A fotografia passa a ser uma afirmação do real, um momento em algum lugar onde a luz se congela. Segundo Philippe Dubois, no livro O Ato Fotográfico, “(...) a relação da imagem com o espaço/tempo é indissociável do ato que a faz ser a imagem fotográfica não é apenas uma impressão luminosa, é igualmente uma impressão trabalhada por um gesto radical que a faz por inteiro de uma só vez, o gesto do corte, que faz seus golpes recaírem ao mesmo tempo sobre o fio da duração e sobre o contínuo da extensão”. 


Mas e o olhar fotográfico? Esse termo é um conceito um tanto quanto abstrato para definir uma percepção própria de cada um da mesma realidade. Indiscutível que cada um veja a mesma coisa por prismas diferentes, filtros pessoais que moldam a relação do indivíduo um com o mundo. Percepções distintas de um mesmo instante. A capacidade de selecionar formas que para o fotógrafo tenha algum significado, tentando levar isso para outras pessoas. “Esse momento único, levantado do contínuo do tempo referencial”, diz Dubois, “torna-se, uma vez pego, um instante perpétuo: uma fração de segundo, decerto, mas ‘eternizada’, captada de uma vez por todas, destinada (também) a durar, mas no próprio estado em que ela foi captada e cortada”. Esta mesma ideia é ressaltada por Susan Sontag, em Ensaio Sobre Fotografia, “(...) todos os fotógrafos são testemunhas da passagem inexorável do tempo, fotografar significa participar na mortalidade, vulnerabilidade e mutabilidade de outras pessoas (ou coisas)”. O olhar fotográfico é fazer uma escolha de qual instante deve ser perpetuado para poder significar algo. Bresson, em seu texto O Momento Decisivo diz “(...) Nós fotógrafos, lidamos com coisas que estão continuamente desaparecendo (...), o que passou, passou para sempre. Nossa tarefa é perceber a realidade, registrando-a quase simultaneamente no caderno-de-esboços que é a nossa câmera. (...) A fotografia implica o reconhecimento de um ritmo no mundo das coisas reais. O que o olho faz é encontrar e enfocar o assunto particular dentro da massa da realidade; o que a câmera faz é simplesmente registrar em filme as decisões tomadas pelo olho. O olho do fotógrafo está sempre pesando e avaliando as coisas”.


As escolhas que o fotógrafo faz é o que determina o valor representativo que essa imagem deverá ter. Lucia Santaella diz em seu livro, O Que é Semiótica, ”…o simples ato de olhar já está carregado de interpretação, visto que é sempre o resultado de uma elaboração cognitiva, fruto de uma mediação significa que possibilita nossa orientação no espaço por um conhecimento e assentimento diante das coisas que só o signo permite”. Assim podemos dizer que a foto é construída antes que ela realmente se forme de fato, sendo criada primeiramente na imaginação do fotógrafo, que tenta construir através de sua própria memoria algum elemento que represente seu desejo, moldando de antemão seu olhar. 


François Laplantine no livro La Description Ethnographique , faz a distinção entre ver e olhar. Segundo ele “(...) olhar é guardar, prestar atenção, observar, vigiar. O olhar demora-se no que vê. Ver o mundo imediatamente tal qual ele é, cujo resultado consistiria em descrever exatamente o que aparece diante de nossos olhos, não seria ver verdadeiramente, mas crer, e crer claramente dentro da possibilidade de eliminar a temporalidade. Seria reivindicar uma estabilidade ilusória do sentido do que a gente vê e negar a vista, e ao visível, sua característica indiscutivelmente mutante”.


Um olhar fotográfico se forma muito antes da oportunidade se materializar fisicamente. Ela se forma na imaginação do fotografo, em seus sentimentos, suas memorias, desejos de exteriorizar aquilo que existe dentro de si através de imagens que ele colhe no mundo reflexo do que é. O olhar fotográfico procura primeiro dentro do fotografo aquilo que ele deseja encontrar do lado de fora.

DUBOIS, Philippe. O ato fotográfico e outros ensaios. Campinas, Papirus, 1994.
SANTAELLA, Lucia. O que é semiótica. São Paulo: Brasiliense, 1983.
SONTAG, Susan. On photography. New York: Dell, 1977.
LAPLANTINE, François. La description ethnographique. Nathan: Paris, 1996.

terça-feira, 6 de dezembro de 2011

VOZ DE COMANDO

Trabalho há aproximadamente cinco anos com fotografias sociais, e durante esse tempo já pude acumular conhecimentos que me engrandeceram como profissional. Comecei fazendo a segunda câmera nos casamentos e aniversários e dessa época tenho saudade da liberdade que eu tinha de fazer fotos mais jornalísticas, valorizando os detalhes de cada evento. Quando passei a fazer a primeira câmera, as responsabilidades aumentaram. 

Cleiton de Oliveira

O fotógrafo da primeira câmera tem que ficar atento para todos os acontecimentos, fazer aquelas fotos que não podem faltar e que com certeza o cliente irá cobrar. Além disso, é o primeiro fotógrafo que regerá as eventuais poses, tendo que ter uma visão geral de todos os detalhes, como o óculos do vovô que está dando reflexo, a gravata torta do tio que já tomou algumas doses, a postura dos noivos em frente a mesa de bolo, as poses irreverentes que a aniversariante pode fazer em cada ambiente de sua festa, entre tantos outros.

Semanas atrás estava conversando com o fotógrafo Ilídio Botafogo, com mais de 30 anos de experiência, ele me disse sobre a importância do fotógrafo ter voz de comando. Com o foco em casamento, ele me disse que uma postura segura e uma voz de comando firme fazem com que os noivos confiem mais em você e suas decisões. Imagine que normalmente os noivos não possuem experiência com a práxis de um casamento e que você será o mentor que irá instruí-lo, passar confiança no que está fazendo tranquiliza os pombinhos apaixonados.

Então, em outras palavras, o fotógrafo tem que saber “mandar” para que tudo saia nos conformes, peça pra sorrir, ficar um de frente para o outro, deite-os no chão, sentados, enfiem, não dê tempo para os noivos duvidarem do que está fazendo. É claro que devemos ouvi-los também, interagir para tornar o ambiente mais propício de se fazer lindas fotografias.
Fica a dica.

Cleiton de Oliveira