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quarta-feira, 28 de março de 2012

PINTANDO COM LUZ




Certo dia mexendo em minha câmera em casa, resolvi brincar com luz, fazendo fotos utilizando uma técnica muito divertida, chamada Light painting

Light painting é uma técnica fotográfica, que você pode realizar desenhos utilizando alguma fonte de luz, pode tanto ser feita movimentando uma ou várias fontes de luz, quanto movimentando a câmera, esta segunda é também chamada de camera painting, capturando a imagem com uma velocidade de disparo baixa, que é quando ajustamos a velocidade da câmera para que haja um tempo maior de exposição, ou seja, o obturador vai ficar aberto por mais tempo, capturando assim os movimentos da luz, é bom regular também o ISO.

A técnica foi descoberta meio que por acaso, quando Frank Gilbreth e sua esposa Lilian Gilbreth, estavam registrando, para um estudo de  movimento, a atividade de trabalhadores, eles ajustaram suas câmeras com um tempo maior de exposição, na tentativa de capturar o maior número de movimentos possível desses trabalhadores, sem o menor motivo ou intenção artística.

Frank Gilbreth e Lilian 

As imagens  realizada pela dupla aconteceu no ano de 1914.


Foto: Frank e Lilian Gilbreth

Foto: Frank e Lilan Gilbreth

Foto: Frank e Lilian Gilbreth

Mas foi o fotógrafo Man Ray que teve reconhecida as primeiras imagens de  Light painting, que podem ser vista na série Space Writing (escrita espacial).


Man Ray, Space Writing

Man Ray, Space Writing

O Fotógrafo Gjon Mili, que já tinha várias experiências de fotografia, utilizando um flash para criar sequências de movimentos, fotografou por duas vezes o pintor Pablo Picasso, pintando com luz, para a revista LIFE, onde trabalhava.







Você pode utilizar qualquer coisa que produza luz, flash, lâmpada, brinquedos com luz, lanterna, pisca-pisca, vela, fósforo, celular, laser, web cam, enfim, não é por falta de uma fonte de luz que possa manipular, que vai deixar de fazer seus desenhos com luz, uma coisa que pode fazer também para variar as cores da luz, é envolver sua fonte de luz com celofane colorido.

Importante também é utilizar um apoio para a sua câmera, para que ela não mexa, o que pode fazer com que a foto fique tremida, use um tripé, não tem?! Apoie sua câmera em cima da cama, livros, mesa, cadeira, muro, contanto que ela fique imóvel e não caia, vale tudo, use o disparador automático da sua câmera mesmo, caso não tenha um disparador remoto.

Eu utilizei o que tinha em minhas mãos na hora, para realizar as minhas fotografias , que foram: fósforo, dois celulares, vela, web cam e um notebook. O tempo de exposição também pode variar, isso aí você vai testando, eu utilizei tempos diferentes, como:  4s, 5s, 8s e 10s, o ISO variei entre 800 e 400, a abertura do diafragma variou entre {f/4.2 - f/5.6 - f/16}.

Com a abertura em f/16 o traço da luz, ficou mais definido, mais fino, gostei mais do resultado com essa abertura, mas isso também depende do resultado que você deseja. Vai testando as configurações que você escolher, pois isso fica muito a critério de cada um, o legal é você ter uma ideia do que vai fazer durante os segundos em que o obturador da câmera estiver aberto, use a imaginação, não se preocupe com regras. Eu fiz fotos no claro também e, algumas com 2s de exposição, vai da sua cabeça mesmo. Bom, divirta-se com  Light painting euse sua imaginação à vontade!


A sequência abaixo foi feita toda no escuro com  10s de exposição, ISO 800 e f/16

Foto: Lizandra Olavrak

Foto: Lizandra Olavrak

Foto Lizandra Olavrak

Foto Lizandra Olavrak

Foto: Lizandra Olavrak

Foto Lizandra Olavrak

Foto Lizandra Olavrak

Foto: Lizandra Olavrak

Foto Lizandra Olavrak

Foto: Lizandra Olavrak

Foto: Lizandra Olavrak


Penumbra
Foto: Lizandra Olavrak
f/5.6, tempo de exposição 4 e ISO 400


f/5.6, exposição 4s e ISO 800

Luz Natural

Foto: Lizandra Olavrak

f/5, tempo de exposição 10s e ISO 400, nessa foto, tem a interferência da luz do sol atravessando  uma porta de vidro e, iluminei meu corpo todo utilizando a luz de um celular, o fundo ficou estourado, mas gostei desse resultado. 


No Claro

Foto: Lizandra Olavrak

Essa foto tem as mesmas configurações das fotos feitas no escuro, f/16, tempo de exposição 10 e ISO 800, nesse caso deixei as luzes acesas.

Essas foram as minhas   primeiras experiências com Light painting, este post não tem a menor pretensão de ensinar a utilizar essa técnica, mas mostrar um pouco das minhas experiências com Light painting.

Pretendo fazer mais experiências, utilizar outas fontes de luz, ir testando e usando a imaginação e, quando eu aprender de fato a utilizar essa técnica, quem sabe eu faça um tutorial. Espero que tenham gostado!


Lizandra Olavrak




Abaixo links de pessoas que fazem Light painting de verdade!
















quinta-feira, 16 de fevereiro de 2012

O OLHO ATRÁS DO OLHO


Um dia eu estava olhando fotos com minha irmã, ela disse que o que a fazia curiosa com relação a fotos, não era a foto em si, mas ela tinha uma curiosidade em saber quem havia tirado aquela foto. Realmente!

Comecei a olhar as fotos de outra maneira, tentando enxergar quem estava atrás da foto, quem era o olho por trás do olho.

Em cada uma que olhava imaginava, para quem era aquele sorriso, ou aquele olhar o que se passava ali por trás da câmera fotográfica, o que pensava, como pisavam os pés de quem registrava aquela paisagem, e quão delicioso se tornou esse exercício de adivinhações, essa brincadeira de achar o escondido.

Foto: Lizandra Olavrak/ Alexandre Rabelo e Franco Neto
(1. O quê procuravam?)

Foto: Lizandra Olavrak/ Alexandre Rabelo
( 2. Do quê precisava?)

Nas fotografias caseiras, eu tentava achar o fotografo no reflexo dos olhos das pessoas, nas sombras, tentando encontrar ali a imagem de quem eu realmente gostaria de ver, para mim passou a ser assim: O fotografo era a foto. E me lembrei que bem antes dessa questão vir a minha mente como agora, eu já fazia esse tipo de investigação quando era criança, passava horas observando apenas uma foto, procurando por vestígios de uma pessoa que havia ficado fora de uma foto de aniversário ou de um passeio onde todos os amigos estavam, ou pelo menos os queridos, em saber quem era a pessoa que foi convidada à tirar uma foto, porque alguém queria aparecer ao lado do namorado ou namorada em um passeio romântico.




Foto: Lizandra Olavrak/ Cleiton de Oliveira e Alexandre Rabelo
(3. Para onde apontam suas lentes?)

Algum tempo depois disso, comecei a brincar de fotografar as pessoas, lugares e coisas que na maioria das vezes só eu achava interessante, tentando captar o que apenas eu via, e comecei a ser essa figura que está lá, mas não vemos. Quando mostro as fotos para as outras pessoas ou mesmo para as que fotografei, imagino o que elas estão pensando, em quem está por trás do olhar da câmera fotográfica, quem eu era naquele instante em que apertei o disparador, qual era ali o dialogo que tínhamos, eu minha câmera o modelo a paisagem ou o que só a mim interessava, o que conversávamos mesmo sem emitir um som se quer, o que eu queria, o que queríamos. 

Foto: Lizandra Olavrak
(4. O que eu queria, o que seu olho me diz?)

Foto: Lizandra Olavrak
(5. O que seu olho me responde?)

Foto: Naira Rosana Dias

Depois de algum tempo, eu volto a olhar as fotos, sempre acabo percebendo uma coisa que não existia antes e que não era centro de minhas atenções quando fotografei, penso: Quem foi que focou isso? Não posso responder a pergunta, porque em alguns momentos, a própria câmera fotográfica se encarrega de olhar o que eu não vejo e ela por si só me revela o que eu não via, e outro pensamento me vem: Qual o dialogo que tínhamos, eu e a minha câmera? Conversa de louco, mas penso que é assim mesmo que vivo nesses momentos.

Quando vou fotografar, quando vou apenas matar, ou melhor, quando eu vou ressuscitar a vontade, me esqueço de técnica, formulas, ensinamentos, ou qualquer coisa que saia de livros, apostilas ou aulas, nem sei tanta coisa assim para esquecer, mas não me importo com isso, porque em momentos assim, isso não me serve, não tem o menor valor, não nesse momento, porque atrapalharia meu dialogo silencioso com o que meus olhos escutam, e ela, minha câmera, assim parada em minha mão e pendendo para um lado, apenas espera que eu mostre o que ela terá que retirar para a eternidade do momento, eu mostro e, ela faz o seu papel perfeitamente. A imagem que vejo depois na tela luminosa do monitor do meu computador, é algo que não foi eu quem fez, é assim que na maioria das vezes penso, e por isso estou sempre ali, como no inicio, procurando vestígios de mim mesma, procurando por pedaços que possam me contar a história daquela foto, procurando pela parte que não se vê.


Foto: Caroline Albuquerque
(como pisava ...)


(Como me posicionava...)

A fotografia tem esse lado fascinante, você pode olhar uma foto de séculos, e poder viajar naquela imagem e buscar histórias, inventar um nome, um lar, deixar a imaginação vagar em busca do que nunca vamos poder decifrar, embora se tente. É a mágica do instante parado, que mesmo com a instantaneidade das câmeras digitais, ainda existe.

Descobri o que me faz gostar tanto de fotografar, e não é o prazer em congelar um instante que jamais se repetirá, mas estar atrás do sabor do olho que está atrás do olho.


Auto retrato
(6. Por que eu mesma?)

" As imagens são representações aguardando um leitor que as decifre" 
Miriam Moreira Leite



por: Lizandra Olavrak

Para saborearem um pouco

               Mas não sou só eu, obviamente, quem tem essa mania não, o fotografo Tim Mantoani, realizou um projeto, onde reuniu fotógrafos posando ao lado de suas fotografias famosas, ele fez um trabalho belíssimo ao reunir, obra e autor, colocando-os  lado a lado. Essas imagens estão no livro de Mantoani, "Behind Photographs".

Fotografo Jeff Widener

Fotografa Karen Kuehn

Fotografo Lyle Owerko

Fotografa Mary Hellen Mark

Fotografo Steve Mccurry

Vocês podem conferir mais nos links abaixo:


Behind Photographs













terça-feira, 8 de novembro de 2011

Lambe-Lambe

“Olha o passarinho!”


http://fotografoslambelambes.blogspot.com/2010/02/fotografos-ambulantes-no-brasil-os.html


“Olha o passarinho!” – dizia um fotógrafo lambe-lambe na calçada de uma praça. O sujeito precisava de um retrato para documento: sentava-se num banquinho, penteava o cabelo, vestia um paletó com suor de um qualquer, o lambe-lambe ajeitava-lhe a gravata e corria a se meter sob o negro pano que cobria a traseira do seu equipamento.

Na minha primeira infância, quando ia para o Instituto Araguaia, olhava pela janela do Fusca branco do meu pai algumas banquinhas, parecidas com bancas de jornal e que ficavam em alguns pontos do centro de Goiânia, como na Praça Cívica em meados dos anos 1980.

_ Pai o que são essas casinhas?
_ Essas casinhas aí são banquinhas pra tirar foto, minha filha!
_ Nossa, mas é um lugarzinho tão pequenininho! Cabe gente lá dentro?
_ Pois é, é apertado! Mas cabe sim: só quem vai tirar a foto e o fotógrafo!
_ Ah, é? E como ele faz?
_ Uai, minha filha, a gente chega lá e pede uma foto pra documento. Ele pergunta o tamanho, você diz. Daí, ele empresta uma camisa, uma gravata e um paletó. A gente ajeita o cabelo e ele fala assim: “Olha o passarinho!”
_ Eca, mas todo mundo usa a mesma roupa que o outro estranho usou, sem lavar?
_ Ah, ninguém ligava pra isso, não!
_ Devia ser fedido!
_ Ih, a gente nem sentia! Nossa, mas a foto saía perfeita! Antigamente, quando eu cheguei de Belo Horizonte aqui em Goiânia nos anos 60, todo mundo tirava foto de documento na rua! Sabe aqueles retratinhos preto-e-branco que eu tenho de mim quando eu era rapazinho e magrinho? Pois é, muitos eu tirei na rua assim! Pena que hoje em dia quase não se usa isso mais, esses fotógrafos devem tá morrendo de fome, todo mundo tira foto de documento lá no Sakura e no Fujioka...


http://www.gazetadopovo.com.br/vidaecidadania/aniversariodecuritiba/territorio/



Do povo e para o povo

Muitos anônimos, nascidos do povo e produzindo para o povo, poucos se preocuparam em registrar seus nomes nas fotografias. Embora, em Curitiba, também se declarassem como lambe-lambes, esses fotógrafos de rua que tinham seus pequenos estúdios e laboratórios em bancas não foram os primeiros fotógrafos lambe-lambes tipicamente característicos: andarilhos de rua. Aqueles, os mais antigos, eram ambulantes com grandes câmeras-caixotes que atuavam em praças, parques, jardins e locais públicos (FERNANDES JÚNIOR, s.n.; SILVA, 2009). Já, os fotógrafos das banquinhas eram versões mais modernas dos antigos lambe-lambes, pois estando alocados num ponto fixo, não mais se constituíam nômades ou sentados à espera do cliente sob a sombra de uma frondosa árvore numa praça, nem num jardim a céu aberto.





Os fotógrafos de jardim, os primeiros lambe-lambes, ambulantes, fotógrafos instantâneos, trabalhadores informais que ganhavam a vida fotografando populares, registrando a vida citadina, mais comumente produzindo fotos preto-e-branco para documentos diversos, usavam grandes câmeras, muitas vezes artesanais, simples e fabricadas por eles próprios, que além de serem dispositivos fotográficos, eram também mini-laboratórios de revelação e ampliação.

A câmera lambe-lambe era confeccionada com uma caixa de madeira contendo uma objetiva (conjunto de lentes) apoiada sobre um tripé. Era dividida em duas partes: superior e inferior, na inferior havia dois químicos que seriam usados com filmes e papéis fotográficos para o banho, o revelador e o fixador. Quando ia revelar, o fotógrafo enfiava a mão dentro da câmera para fazer a revelação através de aberturas, como sacos ou meias, que impediam a entrada de luz. Usavam como câmera a máquina Bernardi ou máquina “Caixote”, fabricada por Francisco Bernardi, italiano de Bolonha, tendo a câmera sido introduzida no Brasil aproximadamente no ano de 1915 (FRANCO, 2004).



http://lambelambecultural.blogspot.com/


Em seu primórdio, a fotografia direcionava-se à elite e exigia conhecimentos de química e física. Os avanços tecnológicos, a industrialização de equipamentos e materiais corroborou para o barateamento da fotografia e à sua massificação ao final do século XIX. Dessa forma, os lambe-lambes contribuíram para popularizar a fotografia no Brasil ao final daquele século sobrevivendo de maneira bastante escassa até o século XXI, não tendo eles atingido a classe dominante. Seus clientes geralmente eram humildes suburbanos, oriundos de cidades pequenas ou à procura de trabalho. Ofereciam preços abaixo dos estúdios maiores e entregavam as fotografias prontas em menor tempo, o saber da técnica fotográfica passava de pai para filho, mas isto nem sempre necessariamente foi assim (FRANCO, 2004).

Lambe-lambe?

Há várias explicações para o termo lambe-lambe, (observar as referências e indicações para leitura ao final deste post):

Lambe-lambe pode ter surgido pelos antigos fotógrafos que batiam a chapa preto-e-branco e assopravam o negativo para que o calor do ar da boca ajudasse a secá-la. Aí as pessoas passavam e viam o fotógrafo fazendo isto e diziam que ele estava lambendo a chapa (AMARANTE e SEVERINO JÚNIOR, 2002 apud FRANCO, 2004, p.21).

“Para Boris Kossoy (1980), a origem do termo lambe-lambe se refere a um teste que se faz para
verificar de que lado estava a emulsão de uma chapa, filme ou papel sensível. Para evitar o erro de colocar a chapa com a emulsão voltada para o fundo do chassi, o que deixaria fora do plano focal e portanto, com falta de nitidez, costumava-se, (não só o fotógrafo lambe-lambe, mas como qualquer outro fotógrafo que utilizava câmeras de grande formato), molhar com saliva a ponta do indicador e do polegar e fazer pressão com esses dois dedos sobre a superfície do material sensível num dos cantos para evitar manchas. O lado em que estivesse a emulsão seria identificado ao produzir uma leve impressão de ‘colagem’ no dedo” (KOSSOY,1974 apud FRANCO, 2004, p. 21).

Segundo alguns lambia-se a placa de vidro para saber qual era o lado da emulsão o que explicaria o nome. […] Há quem diga que se lambia a chapa para fixá-la, porém a origem mais viável parece estar
ligada ainda ao antigo processo da ferrotipia. Este processo envolvia uma camada de asfalto sobre uma chapa de ferro de mais ou menos 1mm sobre a qual era aplicada a emulsão. Após a revelação com sulfato de ferro, o fotógrafo lambia a chapa, fazendo com que a imagem se destacasse do fundo preto asfáltico pela ação do cloreto de sódio existente na saliva"(KOSSOY,1974 apud FRANCO, 2004, p. 21).

Quando se revelava a foto, após ser retirada do banho com o químico fixador, ela era lavada com água, então, os lambe-lambes passavam a foto na boca pra não ficar muito molhada, com o tempo, alguns passaram a acender um fogareirinho com álcool, e secava a chapa nele (FRANCO, 2004).

No Brasil, embora existam muitas imagens, a História da Fotografia Lambe-Lambe não é algo muito simples de se detalhar devido à carência de registros escritos e ao anonimato de muitos fotógrafos. Sendo que, mais a partir dos anos 1980, as pesquisas a respeito deles tivessem se dado, devido a decadência de tal profissão e técnica fotográfica. Rio de Janeiro e São Paulo foram as principais portas de entrada dos fotógrafos lambe-lambes, imigrantes que vinham da Europa já com o conhecimento de fotografar e revelar ao ar livre. Em Belo Horizonte, no ano de 2004, ainda existiam 6 fotógrafos lambe-lambes na Praça da Estação (FRANCO, 2004).


http://lambelambecultural.blogspot.com/


Em cada cidade brasileira, o perfil dos fotógrafos tende a variar. Por exemplo, em Belo Horizonte, a primeira geração de fotógrafos lambe-lambes em 1922 era em maioria de espanhóis e sírios. Nos anos 1930-1940, decretos impunham cobranças de taxas, licenças e rodízios semanais entre os lambe-lambes na capital mineira. Alguns ficavam restritos à fotografia de documentos, outros viajavam para fotografar festas religiosas no interior de Minas Gerais e ganhar dinheiro. Ao final dos anos 1950-1960, os lambe-lambes mineiros vivenciaram o período de maior rentabilidade com os retratos 3x4 para inúmeros documentos como a carteira de trabalho, de identidade... Utilizando como suporte a técnica de se fotografar em vidro, entregavam a foto pronta em 20 minutos. O mesmo ocorreu em Vitória, pois nos anos 1950, os estúdios levavam entre 3 a 4 dias para entregar o serviço pronto aos clientes. Além dos 3x4, os ambulantes mineiros fizeram fotos para monóculos até o final dos anos 1980 (FRANCO, 2004).


http://lambelambecultural.blogspot.com/


A chegada do filme colorido e do minilab (mini-laboratório) para revelações coloridas iniciou o processo de decadência da fotografia lambe-lambe, pois podia oferecer preços ainda menores e a entrega da foto pronta em menos de 30 minutos, além do que, os próprios lambe-lambes ficavam dependentes dos estúdios fotográficos para comprarem o material para revelação colorida (FRANCO, 2004). Quadro semelhante ocorreu no restante do Brasil que, com as inovações e modernizações tecnológicas tanto analógicas quanto digitais e com a popularização e barateamento da fotografia, direcionaram o tradicional ofício dos lambe-lambes à obsolescência e desvalorização, portanto, a caminho da extinção (FERNANDES JÚNIOR, op. cit.).



Os sobreviventes do lambe-lambe vieram se adaptando ao longo dos tempos, desde a máquina Bernardi às de filme colorido; de monóculos às Polaroid e, agora, seguindo com equipamento digital... (FRANCO, 2004; TASSINARI, 2006). Embora, acredite que lambe-lambe mesmo era o que lambia a chapa, os primeiros, tradicionais e característicos.

Por isso, suscito aos meus comparsas, integrantes do Fotoclube Super Olho, uma provocação: procurar se ainda existe algum fotógrafo lambe-lambe em Goiânia e região, lambe-lambe mesmo, de verdade, que tira foto com a chapa preto-e-branco e tudo mais... Com ele realizar uma entrevista informal e claro: tirarmos uma foto para a posteridade! Quem aceita minha proposta?

Para conhecer mais sobre lambe-lambe e sua história, você poderá consultar também as fontes indicadas.
http://www.iesb.br/moduloonline/napratica/?fuseaction=fbx.Materia&CodMateria=2055

Postado por: Naira Rosana em 08 de novembro de 2011.


REFERÊNCIAS

FERNANDES JÚNIOR, Rubens. Desconhecidos íntimos: o imaginário do fotógrafo lambe-lambe. Disponível em:<http://www.mnemocine.com.br/fotografia/rubens.htm>. Acesso em: 07 nov. 2011.

FRANCO, Marcelo Horta Messias. Profissionais em extinção: o caso do fotógrafo lambe-lambe. Monografia de Conclusão de Curso. Faculdade de Filosofia e Ciências Humanas, 2004. Disponível em: <http://www.antropologia.com.br/divu/colab/d25-mfranco.pdf>. Acesso em: 08 nov. 2011.

SILVA, Andressa Ignácio. Fotógrafos lambe-lambes e fotoclubistas: análise de perfil e perspectiva social da produção fotográfica. II Encontro Nacional de Estudos da Imagem. Anais... 12 a 14 mai. 2009. Disponível em: <http://www.uel.br/eventos/eneimagem/anais/trabalhos/pdf/SILVA_Andressa%20Ignacio.pdf>. Acesso em: 07 nov. 2011.

TASSINARI, Marco. Profissão: lambe-lambe. Há 40 anos na lida, fotógrafo se moderniza para enfrentar a concorrência e a falta de material disponível no mercado. 06 jun.2006. Disponível em: <http://www.iesb.br/moduloonline/napratica/?fuseaction=fbx.Materia&CodMateria=2055>. Acesso em: 08 nov. 2011.

INDICAÇÕES DE LEITURA

KOSSOY, Boris. O fotógrafo ambulante: a história da fotografia nas praças de São Paulo. In: Suplemento Literário do jornal O Estado de São Paulo, 24 nov.1974, p.5.

FABRIS, Annateresa (Org.). Fotografia: usos e funções no século XIX. São Paulo: USP, 1991.

FROÉS, Leonardo. Os lambe-lambe. In: Coisas Nossas, Rio de Janeiro, Secretaria de Estado de Educação e Cultura e Mec-Funarte, 1978.

GOUVÊA, Isabel. Lambe-lambe: resistindo à extinção. In: Jornal FotoBahia, Salvador, n.1, jul/1981, p.3.

GRILLO, Margareth. Lambe-lambe: a profissão que a tecnologia desbancou. Disponíel em: <http://www.antropologia.com.br/divu/colab/d25-mfranco.pdf>. Acesso em: 08 nov. 2011.

JORNAL O Norte. Modernidade versus tradição. Disponível em: <http://www.onorte.com.br/noticia/35257.html>. Acesso em: 08 nov. 2011.

SIMINETTA, Persichetti. Lambe-Lambe: a câmera automática no lugar da velha caixa. In: Revista Iris, n.334, p.18-20, janeiro/fevereiro 1981.

SOUZA, Felipe de Paula. Um olhar sobre os fotógrafos Lambe-lambes de Ilhéus, Bahia. Revista Espaço Acadêmico. n.63. ago. 2006. Disponível em: <http://www.espacoacademico.com.br/063/63souza.htm>. Acesso em: 08 nov. 2011.

VASQUEZ, Pedro. Olha o "passarinho"! Uma pequena história do retrato. In: O retrato brasileiro: fotografias da Coleção Francisco Rodrigues 1840-1920, Rio de Janeiro, Funarte e Fundação Joaquim Nabuco, 1983, p.27.

ZUANETTI, Rose; REAL, Elizabeth; MARTINS, Nelson et al. Fotógrafo: o olhar, a técnica e o trabalho. Rio de Janeiro: Senac Nacional, 2002.

IMAGENS E DEMAIS SITES CONSULTADOS


http://www.flickr.com/photos/claudiolara/362436897/
http://www.gazetadopovo.com.br/vidaecidadania/aniversariodecuritiba/territorio/
http://fotografoslambelambes.blogspot.com/2010/02/fotografos-ambulantes-no-brasil-os.html http://www.iesb.br/moduloonline/napratica/?fuseaction=fbx.Materia&CodMateria=2055
http://lambelambecultural.blogspot.com/