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quarta-feira, 28 de março de 2012

PINTANDO COM LUZ




Certo dia mexendo em minha câmera em casa, resolvi brincar com luz, fazendo fotos utilizando uma técnica muito divertida, chamada Light painting

Light painting é uma técnica fotográfica, que você pode realizar desenhos utilizando alguma fonte de luz, pode tanto ser feita movimentando uma ou várias fontes de luz, quanto movimentando a câmera, esta segunda é também chamada de camera painting, capturando a imagem com uma velocidade de disparo baixa, que é quando ajustamos a velocidade da câmera para que haja um tempo maior de exposição, ou seja, o obturador vai ficar aberto por mais tempo, capturando assim os movimentos da luz, é bom regular também o ISO.

A técnica foi descoberta meio que por acaso, quando Frank Gilbreth e sua esposa Lilian Gilbreth, estavam registrando, para um estudo de  movimento, a atividade de trabalhadores, eles ajustaram suas câmeras com um tempo maior de exposição, na tentativa de capturar o maior número de movimentos possível desses trabalhadores, sem o menor motivo ou intenção artística.

Frank Gilbreth e Lilian 

As imagens  realizada pela dupla aconteceu no ano de 1914.


Foto: Frank e Lilian Gilbreth

Foto: Frank e Lilan Gilbreth

Foto: Frank e Lilian Gilbreth

Mas foi o fotógrafo Man Ray que teve reconhecida as primeiras imagens de  Light painting, que podem ser vista na série Space Writing (escrita espacial).


Man Ray, Space Writing

Man Ray, Space Writing

O Fotógrafo Gjon Mili, que já tinha várias experiências de fotografia, utilizando um flash para criar sequências de movimentos, fotografou por duas vezes o pintor Pablo Picasso, pintando com luz, para a revista LIFE, onde trabalhava.







Você pode utilizar qualquer coisa que produza luz, flash, lâmpada, brinquedos com luz, lanterna, pisca-pisca, vela, fósforo, celular, laser, web cam, enfim, não é por falta de uma fonte de luz que possa manipular, que vai deixar de fazer seus desenhos com luz, uma coisa que pode fazer também para variar as cores da luz, é envolver sua fonte de luz com celofane colorido.

Importante também é utilizar um apoio para a sua câmera, para que ela não mexa, o que pode fazer com que a foto fique tremida, use um tripé, não tem?! Apoie sua câmera em cima da cama, livros, mesa, cadeira, muro, contanto que ela fique imóvel e não caia, vale tudo, use o disparador automático da sua câmera mesmo, caso não tenha um disparador remoto.

Eu utilizei o que tinha em minhas mãos na hora, para realizar as minhas fotografias , que foram: fósforo, dois celulares, vela, web cam e um notebook. O tempo de exposição também pode variar, isso aí você vai testando, eu utilizei tempos diferentes, como:  4s, 5s, 8s e 10s, o ISO variei entre 800 e 400, a abertura do diafragma variou entre {f/4.2 - f/5.6 - f/16}.

Com a abertura em f/16 o traço da luz, ficou mais definido, mais fino, gostei mais do resultado com essa abertura, mas isso também depende do resultado que você deseja. Vai testando as configurações que você escolher, pois isso fica muito a critério de cada um, o legal é você ter uma ideia do que vai fazer durante os segundos em que o obturador da câmera estiver aberto, use a imaginação, não se preocupe com regras. Eu fiz fotos no claro também e, algumas com 2s de exposição, vai da sua cabeça mesmo. Bom, divirta-se com  Light painting euse sua imaginação à vontade!


A sequência abaixo foi feita toda no escuro com  10s de exposição, ISO 800 e f/16

Foto: Lizandra Olavrak

Foto: Lizandra Olavrak

Foto Lizandra Olavrak

Foto Lizandra Olavrak

Foto: Lizandra Olavrak

Foto Lizandra Olavrak

Foto Lizandra Olavrak

Foto: Lizandra Olavrak

Foto Lizandra Olavrak

Foto: Lizandra Olavrak

Foto: Lizandra Olavrak


Penumbra
Foto: Lizandra Olavrak
f/5.6, tempo de exposição 4 e ISO 400


f/5.6, exposição 4s e ISO 800

Luz Natural

Foto: Lizandra Olavrak

f/5, tempo de exposição 10s e ISO 400, nessa foto, tem a interferência da luz do sol atravessando  uma porta de vidro e, iluminei meu corpo todo utilizando a luz de um celular, o fundo ficou estourado, mas gostei desse resultado. 


No Claro

Foto: Lizandra Olavrak

Essa foto tem as mesmas configurações das fotos feitas no escuro, f/16, tempo de exposição 10 e ISO 800, nesse caso deixei as luzes acesas.

Essas foram as minhas   primeiras experiências com Light painting, este post não tem a menor pretensão de ensinar a utilizar essa técnica, mas mostrar um pouco das minhas experiências com Light painting.

Pretendo fazer mais experiências, utilizar outas fontes de luz, ir testando e usando a imaginação e, quando eu aprender de fato a utilizar essa técnica, quem sabe eu faça um tutorial. Espero que tenham gostado!


Lizandra Olavrak




Abaixo links de pessoas que fazem Light painting de verdade!
















sexta-feira, 18 de novembro de 2011

I AM IN TRAINING DON'T KISS ME

Quando pesquisava para meu trabalho de conclusão de curso, me deparei com a fotografa francesa, Claude Cahan. Antes de começar a escrever sobre ela, gostaria de deixar aqui algumas palavras.

Uma coisa que sempre reparei é que pouco ouvi falar sobre mulheres fotógrafas. Em um curso de extensão na faculdade, onde praticamente tive meus primeiros contatos com a história da fotografia, ouvi sobre vários fotógrafos, como Helmut Newton, do qual sou fã, Man Ray, Richard Avedon, Robert Frank e mais um bocado de nomes consagrados da fotografia mundial, todos homens e, nenhuma mulher.

Já conhecia um pouco o trabalho de Cindy Sherman, quando fazia outra pesquisa e, acho, sem certeza, que era a única que conhecia. Começou fazendo auto-retratos. Famosa por suas fotografias, onde posava fazendo a reprodução  de telas de grandes pintores. 

Provavelmente você já viu uma das famosas fotografias dela, a reprodução fotografia da tela de Caravaggio, "Baco Enfermo",se não viu é essa logo abaixo.


Sem titulo: de Cindy Sherman (1990)


Escreveria um post inteiro sobre ela, mas este aqui é sobre a outra fotógrafa, a Claude Cahan, seu trabalho influenciou Sherman, as duas se fotografam representando personas, a primeira aparece sempre com o rosto sério, quase neutro e Sherman  utiliza várias máscaras.

Claude Cahun foi registrada com o nome de Lucy Renée Mathild Schwob, criada pela avó paterna, pois sua mãe tinha problemas mentais.

Viveu até o fim de sua vida ao lado de sua companheira, a artista e sua meia-irmã Suzanne Malherbe.


Claude Cahun

Lucy Schwob adotou o pseudônimo de Claude Cahun, intencionalmente, pois na França é um nome ambíguo, podendo tanto ser masculino, quanto feminino, Suzanne Malherbe também adotou um pseudônimo, Marcel Moor.

Conheceu André Breton, considerado o "inventor" do movimento surrealista e René Crevel, poeta e romancista francês, que também integrava o grupo de surrealistas, liderados por Breton em Paris.

Participou com outros artistas, de algumas exposições surrealistas em Paris e Londres.

Com a explosão da 2ª Guerra Mundial, Cahun, que também era judia, vai junto com sua companheira, para Jersey, uma ilha britânica na costa da França. Combatia resistentemente a guerra. Fluente em alemão, se disfarçava e, usava da linguagem como sua arma para subverter o exército nazista, infiltrando-se nos acontecimentos militares alemães, elas colocavam nos bolsos dos soldados, nos carros e nas janelas das casas, panfletos traduzidos do inglês para o alemão de relatórios da BBC, sobre as atrocidades e insolências cometidas pelos nazistas.


Fotografia: claude cahan


Cahun e Suzanne Malherbe, não só usavam de ações politicas, mas também artísticas  como forma de manipular e tentar destruir as forças opressoras. Toda a sua luta pessoal e política, seu empenho e coragem de lutar de frente com os nazistas, nos leva a compreender seus auto-retratos. 

Sem nenhuma preocupação com a história da arte, pois ela não se importava com isso, retratava o que a afetava diretamente e, os acontecimentos que observava. Não comungava da ideia de mostrar o talento ,a arte, como uma forma de ganhos financeiros.

Fotógrafa, escritora e atriz, Claude Cahun nos mostra não só na sua vida pessoal, mas também em seu trabalho, a inversão de papéis, a pluralidade de um ser, o conhecimento sobre gênero, beleza e sexualidade. 

Aparecendo em seus auto-retratos, ora trajando roupas masculinas, cabelos curtos ou raspados, o que era totalmente inimaginável e fora de questão na época, ora com trajes femininos, maquiada e cabelos longos.


Fotografia: claude cahan



Fotografia: claude cahan


Seus auto-retratos mostram uma poesia singular, intimista e revolucionária, documentando a realidade que caminhava para a modernidade.

Sua participação no movimento surrealista, desmistificou a imagem feminina dentro do movimento, como um ícone isolado, simbolo do erotismo, dando nova forma de mostrar a mulher dentro do universo surrealista, onde seus representantes eram de maioria masculina.

Ela mostrou as múltiplas possibilidades de identidade do feminino, seu trabalho influenciou  artistas, tais como Nan Goldin, fotógrafa americana que também merece um post, e a já citada neste , Cindy Sherman.



Fotografia: claude cahan


Fotografia: claude cahan



Sua vida e seu trabalho se fundem, como se um fosse a continuidade do outro. O trabalho de Cahun só começou a ser observada com mais atenção e ganhar destaque, quase que no final do século XX, como um dos mais originais e criativos.


Fotografia: claude cahan



Claude Cahun e Suzanne Malherbe, foram presas pelos nazistas no ano de 1944 e, condenadas a morte, entretanto, tal sentença nunca foi cumprida e as duas foram soltas no ano de 1945. Saiu da prisão com a saúde afetada e nunca mais recuperada, devido a problemas de saúde, veio a falecer aos 60 anos de idade no ano de 1954 e Suzanne Malherbe faleceu em fevereiro de 1972 aos 80 anos.



Fotografia: claude cahan

O nome de Claude Cahan não consta nos tratados surrealistas, mesmo ela tendo participado do movimento e, tão pouco encontraremos nos grandes livros de história da arte, mas nem por isso seu trabalho se torna menos importante para a arte. Ela é uma artista, que merece ser sempre lembrada.

Claude Cahun, foi uma notável fotógrafa, não somente pela arte que produziu, mas também por seu engajamento politico, personalidade e ousadia.

Mencionada por muitos devido ser homossexual, considera por outros como um fotografo transexual, do feminino para o masculino, mas o que eu vejo em suas fotografias é uma mulher corajosa em sua atitude de desafiar  a sociedade de sua época, onde a mulher não tinha voz, e mostrar nas suas fotografias, escritos e atitudes, que a mulher também é forte, também pode dialogar de maneira lógica, e política. 

A neutralidade em sua face, a sua imagem careca, à mim, mostra bem essa imparcialidade entre os gêneros, o meio, o equilíbrio, pois ao mesmo tempo em que se traja do masculino, ela é o feminino. Claude Cahun nos revela em suas fotografias as possibilidades de transmutação da identidade feminina.

Enquanto alguns de seus contemporâneos se desnudavam diante das lentes dos fotógrafos para mostrarem, Claude Cahun fazia o contrário, ela se vestia, e como bem disse Michael Rush em seu artigo, "A arte performática vive", a "artista valia-se de disfarces para desmascarar identidades".



Fotografia: claude cahan










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